Bloquinho

Bom dia, Helena, carnaval segue em puro caos, lembro de criança amar tudo fantasias, músicas, danças, mesmo sendo algo tão protocolar como baile de clube. Meu sonho era desfilar na Beija Flor, eu tenho todas essas vidas que só vivi na minha cabeça, gosto de tantas delas. Essa carnavalesca ficou ali, adormecida aguardando tanto tanto tempo e um dia foi pra rua e cantou e suou e bebeu e beijou e foi tão feliz com um gole de corote. Virou uma foliã confinada, mas tem fantasia e música e suor e beijo e muito álcool, como deve ser. Uma Colombina do apocalipse, Helena.

Sequela

Ninguém vai te contar que esse cansaço de toda uma vida vai morar em você. Para sempre. O nariz escorre a garganta arde, a cabeça dói, o sono te arrasta pelo dia até te nocautear cedo demais. Os pensamentos confusos, enevoados, fugidios, escapam e deixam tudo lento, muito lento. Mas há que produzir, há que ser feliz, cumprir prazos, se manter saudável, enfrentar o sedentarismo, cuidar de alimentação, mudar o mindset, fazer o seu melhor e vibrar na prosperidade. Ninguem vai te contar que os cheiros vão sumir, o aroma do café, o perfume dele no travesseiro, o gosto manjericão no molho de tomate, até o cheiro do desinfetante para limpar o piso. Que fim de mundo horrível, Helena.

Calendário

Chove, o calor dá sinais de trégua apenas para retornar mais forte e abafado. Não reclamo, pois o sol já se tornou parte fundamental para a manutenção das funções vitais. Poderia usar analogias automotivas, mas a quem eu quero enganar: entendo nada de calor e muito menos de carros. A cabeça dói, o corpo padece e o tempo demora sempre uma eternidade, não importa que sejam apenas horas. Conto os dias, marco no calendário fictício que só existe na minha cabeca: 1 ano, 3 meses, 9 meses, 4 semanas. Eu sei as datas todas de cor, Helena, pareço uma adolescente apaixonada.

Simples

Bom dia, Helena, segunda-feira ensolarada sempre traz a impressão de que vai dar tudo certo. Continuo procurando simplificar o viver, viajar mais leve, eavaziar o baú de amgustias que trago no peito e pesa toneladas, nem sempre consigo, mas segue um horizonte. Quero carregar só amor e vontade, ainda chego lá.