Copa

Depois dos 30 eu comecei a separar as pessoas entre as que tinham sofrido com a copa de 82 e o resto. Isso definia o tipo de interlocução que eu teria, pois só quem viveu aquela derrota tem a alma talhada em real brasilidade. Hoje eu tenho um namorado que nem nascido era e o critério é outro, passando por não ser um ser humano horrível e por ser antifascista, esse último um atributo inegociável. E como eu conheço muita gente horrível, todos os dias me apego em algo que me salva. Normalmente é um texto, imagine só ser salva por palavras, às vezes é uma pessoa, hoje fui salva tantas vezes por pessoas e por palavras que acho que fiquei devendo. Estar viva é sempre esse assombro.

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